MAR DE MORROS

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

O CD, CRUZ DE FERRO – Anibal Werneck, 1999




Desde 1985 até 2000, na cidade de Recreio-MG, eu editava fitas K7, anualmente, para vender o meu trabalho de compositor e de intérprete, foi uma experiência interessante e pioneira, porque até então nunca tinha ouvido falar em coisa parecida, pois bem, dentro das minha limitações eu, corajosamente, mostrava a dita cuja e, sempre alguém se interessava e comprava.
O tempo passou e a tecnologia, também, tanto assim que mais tarde, já no século atual, resolvi transformar as minhas fitas em CDs, e, sendo assim, pra começar, resolvi postar, neste blog, três músicas da fita K7, lançada em 1999, sob o título de, CRUZ DE FERRO.
O CD tem 16 músicas.
As músicas são:
1)    KOSOVOS (Anibal Werneck de Freitas)
2)    AND I LOVE HER / EU TE AMO (Lennon & MacCartney / Roberto)
3)    CRUZ DE FERRO (Anibal Werneck & Armindo Torres).

*Quem se interessar pelo CD, é só entrar em contato através do e-mail: anibalwerneck@gmail.com, o preço é R$ 20,00, incluindo o correio.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

a menina no meio























foguete de gaza
míssil de israel
a menina no meio

chora sozinha
briga dos homens
a menina no meio

anibal

não existem momentos

não existem momentos
e sim uma eternidade
enquanto vivemos

quando morremos
não existimos mais
muito menos esta eternidade

anibal

saí da janela














estava na janela 
vi as moças passeando 
estava na janela 
vi os homens conversando 
estava na janela 
vi os pássaros cantando 
estava na janela 
vi os velhos capengando 
estava na janela 
vi as crianças brincando 
saí da janela 
perdi a vida passando 

anibal

com os meus











serei 
mais útil
conversando 
com os meus
do que
conversando
com deus

anibal

poesia sim















a poesia
não precisa
de ponto
vírgula
dois pontos
muito menos
exclamação
interrogação
a poesia precisa
de caminho
início
meio e fim
e a vontade
de sempre
dizer sim

samsara












o mundo é assim
frio e cínico

com a chuva violenta
o barranco desceu todo
só para abraçar
os corpos das vítimas

não existe
ninguém no alto
para acudir
os debaixo.

anibal

pretensão












minha maior
pretensão
nesta vida
é mostrar
ao próximo
o caminho
que eu acho
ser o certo.

perdoe-me
se eu estiver
errado.

mundo frio

o mundo é assim
frio e cínico

com a chuva violenta
o barranco desceu todo
só para abraçar
os corpos das vítimas

não existe
ninguém no alto
para acudir
os debaixo.

anibal

humano ser













conto com os votos
os votos do saber
do saber contar
contos do prazer

do prazer de sentir
sentindo o viver
vivendo na verdade
de humano ser.

anibal.

somos eternos no amor











somos eternos e, 
é o amor que sustenta esta eternidade,
é ele que ainda faz com que,
acreditemos num mundo cada vez melhor,
é a grande energia que envolve o universo,
do perigo da destruição,
aconteça o que acontecer,
o escudo do amor sempre estará a nos proteger,
não importa qual o nome que damos a ele,
o que importa é a sua aura,
limpa e protetora,
pra ele não existe distância,
sua velocidade é a maior que existe,
o amor é como um lago tranquilo e profundo,
o amor deveria ser a primeira e,
única palavra do dicionário,
os povos se entenderiam melhor,
bastaria apenas,
proferir a palavra mágica,
amor.

anibal.

medida do homem




se o homem
é a medida
de todas as coisas,
porque não
o usamos
no lugar do metro.

anibal.

deus negro?










quem calçou esta rua, pedra por pedra,
quem levantou estas paredes, tijolo por tijolo,
quem ergueu estas torres, sino por sino,
quem cravejou este altar, ouro por ouro,
quem colocou estas pedras, uma a uma,
quem erigiu estas igrejas, uma a uma,
quem enfileirou estas casas, uma a uma,
quem, a resposta é uma só, o negro,
tudo isso com o sangue e suor do escravo
para o branco glorificar o seu deus.
por aceitar tamanha crueldade,
que deus é este.

anibal.

indiferença



 




as pessoas passam
me veem sorrindo
e não dizem nada.

as pessoas passam
me veem chorando
e não dizem nada.

as pessoas passam
me veem feliz
e não dizem nada.

as pessoas passam
me veem triste
e não dizem nada.

as pessoas passam
me veem nervoso
e não dizem nada.

as pessoas passam
me veem tranquilo
e não dizem nada.

as pessoas passam
e não me veem
e não dizem nada.

anibal.

deusa natura


de um simples tombo
perdi o que mais queria
uma força, por favor!
eu estou à revelia.


está sobre mim
uma onda muito alta
a explodir no meu peito
a saudade de sua falta.
um porto seguro
além desta tortura
deve existir
ó minha natura!


um lugar feliz
além desta ventura
há de existir
ó deusa natura!


anibal.

trem de trem









trem de gente
trem de carga
trem de ferro
trem de barro
trem de lata
trem de ouro
trem de couro
trem de bronze
trem de palha
trem de zinco
trem de prata
trem de chumbo
trem de água
trem de mato
trem de fato
trem de jogo
trem de arroz
trem de corda
trem de tudo
nem tudo é trem
corda é trem
arroz é trem
jogo é trem
fato é trem
mato é trem
água é trem
chumbo é trem
prata é trem
zinco é trem
palha é trem
bronze é trem
couro é trem
ouro é trem
lata é trem
barro é trem
ferro é trem
carga é trem
gente não,
não é trem.

anibal.

a escada














rápido como um raio desci as escadas
apavorado, como de sempre
procurei saber do grande barulho
que vinha dos primeiros degraus
tudo parecia muito, muito  calmo
minutos antes do terrível estouro
o prédio tremera sob as ondas do som
parecia que algo terrível acontecera
enquanto descia a escada
meu cérebro em parafuso tentava
descobrir realmente o acontecido.
antes do devido estrondo, também
ouvia um vinil antigo da mercedes sosa
o disco, mercedes sosa interpreta
las canciones de atahualpa yupanqui
um disco com a capa totalmente preta
nela a mercedes sosa bate um tambor
nele o meu coração bate junto.
o disco datado com o ano de 1978
lembrava-me quando tinha 30 anos.
a escada parecia não ter mais fim
quanto mais descia, mais degrau surgia
minha cabeça girava em demasia
a vontade era muito grande
de chegar ao local do ocorrido
quanto mais vontade tinha
de tomar posse do fato
mais o meu cérebro balançava
dentro da caixa encefálica
cogitava, alguém se machucara
a vida é interessante e desagradável
joga a gente sem ao menos perguntar
se a gente quer realmente viver
do nada, ela nos arremete
aos braços do acaso e do mistério
todavia, pensando bem
quem nos manda pra cá
é certamente muito inteligente
ninguém em sã consciência
viria para um mundo como o nosso
sem antes perguntar como são
as coisas que estão por aqui
fatalmente nossa grande resposta
seria um sonoro e grandioso não
finalmente cheguei aonde queria
e vi uma chapa de mármore
transformada em pedaços no chão
uma mulher e um rapaz olhavam-na
passei a catar os pedaços e
em seguida, empilhá-los na parede
cada um pesava mais que o outro
senti então no alto da situação
que também catava, sim
sem a menor dúvida, claro
os cacos da minha vida

anibal, 2011

MISTÉRIO [Anibal]

http://anibalwf.blogspot.com/2010/12/anibal-canta-misterio.html















DO ÔNIBUS [Anibal]

http://anibalwf.blogspot.com/2011/02/do-onibus.html 














ME TOMARAM [Anibal]

http://anibalwf.blogspot.com/2011/04/o-alto-preco-de-ser-homem.html


ECILA VIII [Anibal]

http://anibalwf.blogspot.com/2011/01/lua-nua.html


























LUA NUA [Anibal]

http://anibalwf.blogspot.com/2011/01/lua-nua.html


























DEIXE ESTAR



Às vezes eu falo para a minha esposa que o Universo conspira contra mim quando se trata da minha música, ela sempre vira e diz, Bobagem, eu não acredito nisso, é coisa da sua cabeça. Eu respondo que 99% dos casos acontecem comigo, veja agora, estou me preparando para encontrar com ex-colegas de seminário dia 14, agora, de julho e me aconteceu algo que vai me impedir de realizar o encontro, primeiro uma gripe que custou passar, ainda estou com ela, porém, melhorando, todavia, me aconteceu outra coisa que infelizmente não vai dar para estar presente, desta vez não tem jeito mesmo e o pior, nem o meu aniversário vou poder realizar dia 19/07, dia em que estarei fazendo 64 anos e que iria cantar, When I’m Sixty-Four, nesta história aí um cara que tinha vontade de fazer a festa de aniversário junto comigo, ele faz dia 16/07, me negou o espaço na sua casa, onde eu iria fazer uma apresentação com teclado e violão, realizando assim o meu sonho de cantar a música dos Beatles e mesmo assim ele não se sensibilizou.

Anibal.

domingo, 18 de novembro de 2012

O PRECONCEITO CONTRA A MÚSICA POPULAR



A Música Popular, infelizmente, tem o seu lado ruim devido à ignorância e, consequentemente, ao preconceito por parte da maioria da população, é comum alguém ralhar quando ouve uma canção antiga, Isso é do tempo da minha avó, cante algo novo!, Não sei O porquê, isso não acontece com a Música Clássica.
Pode parecer exagero o que estou dizendo, todavia, este preconceito não faz nenhum bem ao artista, sendo assim, está na hora de acabar com este preconceito idiota, porque música não tem época, a Música Popular é uma arte como qualquer outra e deve ser respeitada, interessante, ninguém, fala mal do quadro da Mona Lisa, pintado por Leonardo Da Vinci, no período renascentista, por que será?, a resposta está no fato de que quando se fala em pintura, não se retrata com veemência a época, fazendo com que ela transcenda o tempo, pois, o mesmo não acontece com a Música Popular que é dada muito ao modismo e tem o poder de marcar o época em que foi sucesso, veja bem, foi sucesso, está aí a razão do famigerado preconceito, portanto, cabe ao Governo direcionar um trabalho para colocar um fim nesta situação e a solução está na Escola, uma política de desarmar o aluno e a aluna para aceitarem o velho, deste modo,  deveria ser priorizada, acredito que assim, certamente, o problema seria contornado. 

Anibal Werneck de Freitas.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

POR QUE CANTAMOS? [CARUSO]




Cantar é como viajar para lugar nenhum, não tem destino, pois o que importa é a viagem em si, enquanto cantamos atravessamos lugares inimagináveis que só nos trazem alegria e prazer, é como diz o velho deitado, Quem canta os males espanta. É realmente a mais pura verdade, só o velho nos pode discernir tal sabedoria devido à sua experiência, está deitado porque os anos lhe pesam muito o velho e surrado corpo. Daí a razão porque cantamos, eu, por exemplo canto todos os dias, nem que seja ‘pás paredes’.
Tenho em minha casa um violão e um teclado e são raros os dias que eu não toco e canto, é como diz aquela canção, Cantar, sempre cantar, / Nem a morte pode nos separar...
É isso aí.




CARUSO (Luccio Dalla & Anibal Werneck) Ouço tua voz cortando tempo e espaço./ E o meu coração recebe o teu abraço. / Ainda vejo barco, luz e vela / Aproximando sempre ao teu brilhar. / Cantar sempre cantar! / Nem a morte pode nos separar! / Cantar sempre cantar! / Eternamente Caruso recordar!