MAR DE MORROS

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

MERCEDES SOSA, TAL COMO FÊNIX, SEMPRE SURGE RADIANTE E BELA DAS CINZAS, COM O SEU CANTO VINDO DO FUNDO D’ALMA PARA ACLARAR O MEU CAMINHO



Mercedes Sosa, um exemplo musical íntegro adjacente às suas raízes mais preciosas provindas do povo, raízes puras sem nenhuma mácula do que não é nosso, ou seja, da cultura invasora que desvirtua nossa arte latino-americana, Mercedes foi sempre fiel aos seus princípios, não cantou por cantar, porque o canto pra ela foi sempre uma missão, todas as músicas que ela interpretou foi com pureza d’alma, viveu realmente o que cantou, foi uma luz que veio ao mundo para aclarar a escuridão que nos envolve, mas o cantor tem uma vantagem, ele transcende à morte, porque a sua voz não morre, todas as vezes que a ouço, tal como Fênix, ela surge das cinzas totalmente incólume e sua imagem me envolve com mais força ainda e, dentro de mim, a sensação de que ela continua mais viva, se faz presente.

Anibal Werneck de Freitas. 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

TREM DE LENHA / anibal werneck de freitas /

TREM DE LENHA




Meu pai, Antonio Hygino (in memoriam), tinha um boteco na Rua Conceição, 65, Recreio, MG, onde os homens que trabalhavam no trem de lenha aportavam depois do árduo trabalho para tomar uma branquinha com tira-gosto e depois, ainda sujos, iam para suas casas levando um presentinho para suas mulheres, tanto assim que era comum no Café Sto. Antônio uma vitrine com vidrinhos de perfume chamado Dirce, era realmente um momento bastante agitado com o meu pai atendendo no balcão e a minha mãe na cozinha bastante atarefada, imagine aqueles homens cheirando à lenha, conversando o tempo todo, agitando o ambiente, era realmente assustador, todavia, meus pais já estavam acostumados com aquela situação.
Bons tempos, boas lembranças, tanto assim que compus Trem de Lenha para registrar este momento precioso de minha infância. 

TREM DE LENHA (Anibal Werneck de Freitas)  No Café Sto. Antônio, / Negros, brancos e mulatos, / Iguais na cor do carvão / Chegam famintos e fracos. / No Café  Sto. Antônio, / Gordurão, pão e pernil, / Risos, papos e histórias, / Cerveja e cachaça de barril. / São os homens do trem de lenha / Formando um quadro que se ilumina. / São os homens do trem de lenha / Que a sociedade discrimina. / No Café Sto. Antônio / Brotam força e emoção / Da inocência destes homens, / Filhos do trem e do carvão. / No Café Sto. Antônio / Pra voltarem às suas ‘misses’ / Jogam no corpo suado e sujo / Um perfume chamado Dirce’ / São os homens do trem de lenha / Formando um quadro que se ilumina. / São os homens do trem de lenha / Que a sociedade discrimina. / No Café Sto. Antônio / Pra voltarem às suas ‘misses’ / Jogam no corpo suado e sujo / Um perfume chamado ‘Dirce’.


Anibal Werneck de Freitas.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

ANTONIO HYGINO [IN MEMORIAM]



Antonio
Hygino
de Freitas
(in
memoriam)
com
sua 
esposa,
Wanda
Werneck
de Freitas,
em
2015,
Recreio-MG.
 

 
Embora nascido no dia 8 de agosto de 1915, data em que sua mãe Ana Hygino de Freitas fazia questão de comemorar, pelo registro no cartório [15/08/1915], meu pai estaria caminhando para os 98 anos no nosso mundo físico, todavia no mundo do coração dos de sua família e de todos aqueles que nutriam simpatia por ele, os 98 anos serão comemorados no silêncio d’alma que conseguimos observar através dos olhos de cada um.
Meu pai, comerciante antigo da Rua Conceição e mais a minha mãe, Wanda Werneck de Freitas criaram os filhos através do famoso boteco, Café Sto. Antônio, do qual ele, meu pai,  se orgulhava muito.
Deste modo, nós que estamos do lado de cá, o mantemos vivo em  nossa memória e nos sonhos somos compensados com a sua imagem, pois cada um de nós tem um lago cheio de lembranças que não deixam morrer aqueles que mais amamos.
Quando morremos nos libertamos do corpo e passamos assim a uma situação de estar presente em todos os lugares.

Anibal Werneck de Freitas.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O JOVEM CASAL ANTONIO E WANDA NOS ANOS 50



Meus pais, 
Antonio Hygino 
de Freitas 
e Wanda Werneck 
de Freitas,
meu irmão, 
Marco Antônio 
no colo e eu 
no velocípede.
Abaixo, minha tia 
Aparecida Ferraz 
Werneck 
comigo no colo.
a primeira foto é 
por volta de 1954 
e a segunda, é de 1948, 
ano em que eu nasci..


Deve ter uma explicação, a qual eu desconheço, não acredito no que as religiões falam, muito menos num Deus lá e eu cá, todavia uma coisa me deixa encabulado, por que, como num passe de mágica, aparecemos neste mundo, uns sofrendo mais, outros, menos, pelo menos, na verdade, todo mundo sofre, a aí fica, qual a razão de tudo isso, como você pode observar nas fotos expostas aqui, os meus primeiros anos de vida, junto com o meu irmão marquinho, a tia Cidinha e os meus pais Antonio e Wanda, ainda jovens, cheios de vida, [como estes dois trabalharam para sustentar a família], e aí, o que acontece, hoje minha mãe idosa já não tem mais o companheiro do lado, sofre muito com isso, meu pai morreu com 95 anos no dia 9 de fevereiro de 2011, pois bem, olhando sob o ângulo terrestre, a gente sente que a vida é uma barra pesada, não tenho religião, mas deve ter alguma coisa pela frente para compensar tudo isso, não quero citar nenhuma crença aqui, sei que ela ajuda a consolar aqueles que acreditam, o que não é o meu caso, então fica difícil, por isso fico indagando, a vida é só isso aqui se for, prefiro o Nirvana do Budismo, não existir é bem melhor, é a paz que almejamos. Enquanto isso sigo a vida cantando, pelo menos é o único momento de conforto que eu tenho espiritualmente e apesar de tudo, devo agradecer muito de estar vivendo.

Anibal Werneck de Freitas.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

MINHA CONCEIÇÃO [Anibal Werneck & Celso Lourenço]

A CONCEIÇÃO DA BOA VISTA DO MEU PAI



Perto da terra onde nasci, Recreio/MG, tem um lugar chamado Conceição da Boa Vista, foi mais importante no passado. sua igreja é histórica e antigamente, a Semana Santa era muito cobiçada pela vizinhança. As festas promovidas pela Igreja Católica traziam um bom dinheiro, o lugar tinha até jornal, O Lidador, mas devido a proibição da ferrovia por parte dos fazendeiros, Conceição parou no tempo, no entanto ainda continua sendo contada e cantada pelo seu encanto natural e misterioso.
Meu pai Antônio Hygino viveu a infância neste lugar, sua mãe, Ana Hygino tinha uma chácará do lado direito da estrada que dá para Barreiros ou Pirapetinga, perto de uma capelinha que até hoje se encontra na pracinha. Nela, minha vó criava porco, galinha e tinha uma colmeia. Pois é, a vida é tão curta que quase não me lembro do tempo em que a conheci, nesta hora chego a pensar que esta vida não é a definitiva, tudo é muito passageiro, parece uma maneira de pagar por algo mais duradouro, tudo termina sempre na lembrança.
 



minha conceição (anibal werneck / celso lourenço – anibal werneck) minha conceição que fala de quintais, / de terra molhada, de roupas nos varais. / minha conceição, cuja simplicidade / guarda em mim eternidade. / minha conceição que fala do passado, / de fotos desbotadas, vestígios de saudades. / minha conceição lá da pedra bonita / exala o perfume da boa vista. / minha conceição das casas de sapé, / da broa de milho, do aroma do café. / minha conceição das coisas amenas / minha conceição das coisas pequenas.

anibal – voz e violão.