MAR DE MORROS

sábado, 26 de outubro de 2013

ANTONIO HYGINO [IN MEMORIAM] 98 ANOS



Meu pai 
Antônio Hygino 
[in meoriam], 
meu irmão 
Marquinho 
no seu colo, 
minha mãe 
Wanda Werneck 
e eu [Anibal] 
no velocípede, 
foto dos anos 50






Embora nascido no dia 8 de agosto de 1915, data em que sua mãe Ana Hygino de Freitas fazia questão de comemorar, pelo registro no cartório [15/08/1915], meu pai estaria com 98 anos se estivesse no nosso mundo físico, todavia no mundo do coração dos de sua família e de todos aqueles que nutriam simpatia por ele, os 98 anos estão sendo comemorados no silêncio d’alma que conseguimos observar através dos olhos de cada um.
Meu pai, comerciante antigo da Rua Conceição e mais a minha mãe, Wanda Werneck de Freitas criaram os filhos através do famoso boteco, Café Sto. Antônio, do qual ele se orgulhava muito. Ainda me lembro que todos os dias ele abria o seu estabelecimento assobiando uma música minha chamada, Não Vou Cair Na Onda.
Deste modo, nossa memória o mantêm vivo para sempre e nos sonhos somos compensados com a sua imagem, pois cada um de nós tem um lago cheio de lembranças que não deixam morrer aqueles que mais amamos.
Quando morremos nos libertamos do corpo e passamos assim a uma situação de estar presente em todos os lugares onde nossa memória é invocada, como, por exemplo, agora neste momento em que estou escrevendo este texto, ele, meu pai, está mais presente do que nunca, dando-me a liberdade de dizer, Parabéns, meu pai, pelos seus 98 anos!

Anibal Werneck de Freitas.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

SERES PENSANTES

Não devemos reclamar de nada, devemos sim, procurar corrigir os erros que sempre aparecem, isso porque nada na vida está predestinado a um propósito, as coisas vão acontecendo aleatoriamente, cabendo a cada um de nós direcioná-las para o bem, porque os efeitos do mal são mais devastadores que os do bem, e o pior é que estamos sujeitos à toda sorte de perigos, não podemos dar bobeira, existe todo tipo de seres capazes de fazer o mal, por isso devemos estar atentos, o perigo ronda por toda parte, é a luta pela vida, o problema é que uns usam armas letais, outros não, cabe neste caso uma organização mais eficiente voltada para beneficiar as pessoas e tornar a vida mais saudável.
A arte, por exemplo, é uma forma correta de levarmos a vida, através dela podemos desenvolver o que há de bom em cada um de nós, a música, neste caso, tem uma função muito eficiente no comportamento das pessoas porque ela as disciplina, quando menino, eu achava o compositor um ser superior por elaborar uma obra capaz de atingir o âmago do nosso ser, hoje, vejo que não é bem assim, o compositor é apenas um instrumento, a música sim, ela é que é superior como todas as artes, somos apenas receptores, agora, tem uma coisa, sem nós [seres pensantes] nenhuma arte existiria.

Anibal Werneck de Freitas.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

momento













acredito no momento
acredito neste instante
fora dele não existe
nada mais interessante.

acredito no agora
não acredito no além
pois todo este momento
é tudo e amém.

se não fossem os sentidos
os acordes desta canção
você não estaria ouvindo
nas cordas do violão.

sinta que coisa bonita
as notas em harmonia
perfume e inspiração
no zen da melodia.

anibal.

rationem et populum















circumdedit me in natura
nocuerunt mihi in anima
limpidae aquae
lucidus tranquillitas.

populi circumdantis me
lapidam me spiritus
ut me transire
sensus discrimine.

rationem et populum
quaeretis fortes
me
tempore socii
et fortunam meam.


anibal.

deixe











deixe o vento nas flores
pois cansei-me das dores
deixe a chuva com as águas
pois cansei-me das mágoas

deixe o sol com a luz
pois cansei-me da cruz
deixe a nuvem no céu
pois cansei-me de ser réu.

anibal

como lençol de leito











ah, meu bom homem,
eu já estou desfeito,
a mão do passado
aperta o meu peito.

apago os meus olhos
pra não ver direito
como se eu fosse
só de ferro feito.

à mão do presente
peço dar um jeito,
mas sou tão frágil
como lençol de leito.

procuro na cama,
mas rolo na lama,
decoro o momento
e só vejo o tormento.

anibal.

eu sempre cantei a lua















meu amigo, jairo machado,
sou obrigado a concordar
ao dizer que estou certo
pra lua, acordes dedilhar.

como uma linda mulher,
sempre olho assim a lua
e, como se não bastasse,
gosto mais de vê-la nua.

e digo mais ainda, amigo,
a lua é mesmo uma mulher,
um lado deixa a gente ver,
o outro esconde o que quer.

isso está na alma dela,
mas não lhe tiro a razão,
é uma defesa feminina
pra assustar todo machão.

nas noites de lua cheia
eu a vejo nua por inteira,
maravilha, como é bonita
e que imagem alvissareira.

meu companheiro, jairo,
da lua eu não me canso,
com acordes nos versos
a ela dedico o meu canto.

por isso, meu caro jairo,
com voz e violão, na rua,
nas serestas em recreio,
eu sempre cantei a lua.

hoje, em juiz de fora,
só a vejo pela janela,
deste modo com a viola,
ergo minha voz até ela.

anibal.

meu deus
















meu deus não exige louvação.
meu deus não é o que está lá no céu e eu aqui na terra.
meu deus não é o que revela suas coisas a uma minoria poderosa.
meu deus é a consciência de todos os seres humanos.
meu deus é a inteligência para o livre pensar.
meu deus é a vida para o homem desfrutá-la.
meu deus é o amor entre os homens.
meu deus não é a cobrança de nada a ninguém.
meu deus não é ameaça e nem castigo.
meu deus é a não interferência na vida.
meu deus é a evolução de tudo o que existe.
meu deus é um mistério insondável.
meu deus é a paciência em cada um de nós.
meu deus é a liberdade até para errarmos.
meu deus é o mundo perfeito e imperfeito.
meu deus é o trabalho constante, e não, o que parou no sétimo dia.
meu deus é a imanência do macro com o micro cosmo.
meu deus é simplesmente humano.
meu deus é o respeito para com o deus do outro.
meu deus não é a intolerância, mãe de todos os males.
meu deus não é o ódio e sim, o perdão.

anibal.

que deus é este











quem calçou esta rua, pedra por pedra,
quem levantou estas paredes, tijolo por tijolo,
quem ergueu estas torres, sino por sino,
quem cravejou este altar, ouro por ouro,
quem colocou estas pedras, uma a uma,
quem erigiu estas igrejas, uma a uma,
quem enfileirou estas casas, uma a uma,
quem, a resposta é uma só, o negro,
tudo isso com o sangue e suor do escravo
para o branco glorificar o seu deus.
por aceitar tamanha crueldade,
que deus é este.

anibal.

medida














se o homem
é a medida
de todas as coisas,
porque não
o usamos
no lugar do metro.

anibal.

somos eternos












somos eternos e, 
é o amor que sustenta esta eternidade,
é ele que ainda faz com que,
acreditemos num mundo cada vez melhor,
é a grande energia que envolve o universo,
do perigo da destruição,
aconteça o que acontecer,
o escudo do amor sempre estará a nos proteger,
não importa qual o nome que damos a ele,
o que importa é a sua aura,
limpa e protetora,
pra ele não existe distância,
sua velocidade é a maior que existe,
o amor é como um lago tranquilo e profundo,
o amor deveria ser a primeira e,
única palavra do dicionário,
os povos se entenderiam melhor,
bastaria apenas,
proferir a palavra mágica,
amor.

anibal.

hunano ser













conto com os votos
os votos do saber
do saber contar
contos do prazer
do prazer de sentir
sentindo o viver
vivendo na verdade
de humano ser.

anibal.

indiferença


 


de um simples tombo
perdi o que mais queria
uma força, por favor!
eu estou à revelia.


está sobre mim
uma onda muito alta
a explodir no meu peito
a saudade de sua falta.
um porto seguro
além desta tortura
deve existir
ó minha natura!


um lugar feliz
além desta ventura
há de existir
ó deusa natura!


anibal.

lambada












o que lhe parece
bonito por fora
podre lhe é
por dentro

o que lhe parece
bom agora
ruim lhe é
no centro

cospe toda
essa tralha
e vê se não
me avacalha

a ordem imposta
e vigente é
dos donos
dessa gente

eu e o
meu violão
com um pingado
de camaradas

percebemos
nessa cambada
os mandantes
da lambada

é isso que
acontece
com o povo
que esquece

que merece
paulada
ao som
da lambada

anibal.

menina do meio







foguete de gaza
míssil de israel
a menina no meio

chora sozinha
briga dos homens
a menina no meio

anibal

mãezinha da terra


 














quando menino
anjinho no céu
e a virgem maria
de manto azul
em nuvens brancas
era o qu'eu via
agora só vejo
menino na terra
e a mãe maria
de trapo marron
passando fome
no dia a dia

anibal

deusa natura




 
 
de um simples tombo
perdi o que mais queria
uma força, por favor!
eu estou à revelia.


está sobre mim
uma onda muito alta
a explodir no meu peito
a saudade de sua falta.

um porto seguro
além desta tortura
deve existir
ó minha natura!


um lugar feliz
além desta ventura 
há de existir
ó deusa natura!

trem de trem






 







trem de gente
trem de carga
trem de ferro
trem de barro
trem de lata
trem de ouro
trem de couro
trem de bronze
trem de palha
trem de zinco
trem de prata
trem de chumbo
trem de água
trem de mato
trem de fato
trem de jogo
trem de arroz
trem de corda
trem de tudo
nem tudo é trem
corda é trem
arroz é trem
jogo é trem
fato é trem
mato é trem
água é trem
chumbo é trem
prata é trem
zinco é trem
palha é trem
bronze é trem
couro é trem
ouro é trem
lata é trem
barro é trem
ferro é trem
carga é trem
gente não,
não é trem.
anibal.

vida & verso [1]

- a vida por si já é um milagre, pra quê outro?
- os versos que eu canto não cabem dentro de mim.
- no seu corpo, meço a minha poesia.

- os versos que caem no deserto viram areia.
- os versos nas matas são sempre canoros.
- se você não está conseguindo tecer um verso, mude de agulha.
- o verdadeiro poeta é aquele que não se preocupa em criar versos, eles nascem naturalmente.






anibal.

sinto a vida flutuar












no frescor dos meus versos
sinto a vida flutuar
suas energias atômicas
em quem não sabe voar
nos sonhos que cercam
a força da verdade
escondida em todo lugar

anibal

terça-feira, 22 de outubro de 2013

A VERDADE NUA E CRUA

Só tenho a agradecer pela família que eu tenho e pelas coisas boas que sempre me acontecem, agora, aposentado, passo os meus dias escrevendo nos meus blogs, lendo muito, cantando e tocando o meu violão, embora estou um tempão sem compor uma música, acredito que devo voltar a esta tarefa bem como desenhar quadrinhos que há muito tempo não os faço, apesar disso tudo eu me sinto muito bem, tenho amigos que me visitam, até estudando espanhol eu estou junto com a mina filha Ecila e já estamos no terceiro módulo, é, não posso reclamar de nada.
Além do mais, estou aqui mais para mencionar os meus amigos de seminário que são muitos, e que foi muito bom ter participado do segundo encontro junto com a minha esposa Alice, porque foi um momento inesquecível e impagável, valeu realmente a pena e é assim que a gente deve ser, agradecer mais do que reclamar, devemos estar sempre em paz e com humildade, afinal, foi isso que o Homem da Montanha nos ensinou, Amai-vos uns aos outros como eu vos amei, Isso resume tudo, além do perdão que ele nos ensinou também, Perdoai 77 X 77 se for preciso, Há sempre uma chance de voltar atrás, somos irmãos e estamos neste planeta para sermos felizes, esta é uma mensagem que devemos ter sempre no coração porque ela é verdadeira, nua e crua, se eu errei em alguma coisa não tenho vergonha de pedir desculpa, aliás, somos humanos, sujeitos a todo tipo de defeitos.
Sendo assim, deixo aqui o meu carinho para todos e que as coisa positivas se transformem numa chuva torrencial sobre nossas cabeças.

Anibal Werneck de Freitas.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

anibal werneck de freitas / MINAS, MINAI!

POBRES ALMAS


Da igreja de N. S. da Conceição até à capelinha lá embaixo na pracinha, eu sinto os meus pés arderem sobre as pedras castigadas pelo sol do meio dia, pedras estas colocadas pelo sangue do negro banhado de suor sob o chicote do feitor nos tempos idos que ficaram por isso mesmo, aliás, o castigo era como uma paga pelos pecados tirando assim a necessidade do escravo ir até ao confessionário do padre, no fundo da alma branca, o açoite era até um favor, como dizia nos sermões infindáveis que os homens de cor por estarem no cativeiro já estão pagando pelos seus pecados e assim, uma vez beneficiados tinham mais que trabalhar em prol do Deus dos dominadores que enterravam seus mortos no subsolo do templo.
Quanto ao meus pés, ardiam como fogo, talvez o fogo do inferno que foi daquelas pobres almas de outrora, cujos descendentes continuam ardendo no fogo da pobreza e da indiferença nos dias de hoje.

Anibal Werneck de Fritas.