segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

TRILHOS TORTOS




TRILHOS TORTOS  (Anibal Werneck de Freitas) Uma verdade vem de lá do barracão, / Dos trilhos velhos que permeiam a solidão. / Esta verdade é o sino forte que bateu / No coração do maquinista que morreu. / O maquinista de boné e de emoção, / Tocava o trem sem prestar muita atenção. / No momento da curva percebeu, / Que a felicidade descarrilhou dentro do seu eu. / Meio às ferragens e à densa escuridão / O maquinista viu a dor e assombração. / Um dinossauro de ferro o trem ergueu, / Já era tarde, o maquinista morreu. / Dormentes, trilhos tortos, confusão. / E os ingleses, donos da situação: / “Trem de ferro é muito longe pra buscar / E o maquinista é muito fácil de achar”. / Dormentes, trilhos tortos confusão. / E os ingleses, máquina, preocupação: / “Trem de ferro é muito caro pra comprar / E o maquinista bota outro no lugar”. / Meio às ferragens e à densa escuridão / O maquinista viu a dor e assombração. / Um dinossauro de ferro o trem ergueu, / Já era tarde, o maquinista morreu. / Morreu, morreu,

Segundo meu pai, Antonio Hygino, que chegou a trabalhar de guarda-freio, serviço perigoso, pois andava em cima dos carros com o trem em movimento, qualquer descuido era fatal, ele até que teve muita sorte porque chegou a cair duas vezes e, pressionado pela mãe, acabou largando o serviço.
Pois bem, naquela ocasião, a Estrada de Ferro Leopoldina era dos ingleses, The Leopoldina Rail Way e, quando acontecia um desastre, eles, os donos, não perguntavam pelo maquinista e sim, pela máquina, o maquinista é muito mais barato, enquanto que a máquina, por vir lá da Inglaterra, torna-se um grande prejuízo pra empresa, é o famigerado capitalismo, time is money, até quando, não sei.

Gravação de 2002
Voz, Violão e Teclado, Anibal
Registro nº 62.905, fls. 058, livro 17, Escola de Música da UFRJ

anibalwerneck@gmail.com

VIOLÃO



VIOLÃO (Anibal Werneck de Freitas) Violão, você me tange / A tocar na inspiração / Do seu som envolvendo / A minha canção. Violão, você me leva / A ouvir sua emoção / Nas cordas vibrando / Roçando o coração. Violão, seu carisma / Faz-me transcender / E no seu corpo de mulher / Apaixonado viver.

 Voz e Violão, Anibal Werneck
Gravação de 1985
Registro nº 48.903 no Livro 15 da Escola de Música da UFRJ, em 20/02/89
Da fita K-7, Lua Nua, Editora Radiante, Recreio(MG)

domingo, 9 de janeiro de 2011

RÁDIO POSTE M-19

Na última vez que estive em Recreio, o Mazinho, criador da Rádio Poste M-19, me abordou querendo uma entrevista comigo sobre a minha música, infelizmente não deu porque foi no dia da minha viagem de volta à Juiz de Fora, onde moro. Fiquei então de lhe mandar alguma coisa via e-mail, cumpri a promessa, mas até agora não sei o que aconteceu, se não aconteceu nada não tem problema, o que vale é a intenção de divulgar minha arte e, por isso mesmo, estou pronto para uma outra oportunidade. Mazinho, estou a sua disposição.
Assim como O JORNAL DE RECREIO-MINAS, de onde extraí a foto acima, valorizou o trabalho do Mazinho, quero também fazer o mesmo, é isso aí companheiro, sempre inovando, sempre servindo a sua comunidade, sempre na luta, Recreio precisa de gente desta estirpe, que faz a cidade crescer.
Parabéns pela Rádio Poste.
Anibal Werneck de Freitas, JF-09/01/2011.

CRUZ DE FERRO



CRUZ DE FERRO (Anibal Werneck & Armindo Torres) Trilhos trançados, / Pessoas cruzadas / Em torno do rei / Chamado Juarez. / E na aura, / Cumprindo o esquema / O fiel escudeiro / Nominado Mauro. / Na lida trilhada / Homens de ferro, / Vida de máquina, / Gente talhada. / As mentes na solda / Juntando as partes, / Vontade unida / Em torno dos padres. / Sinal combinado / E os homens da linha / Erguem no alto / O ideal que se tinha. / Formigas humanas / Conduzem a cruz / Pra desassossego / Dos que temem a luz. /

O Brasil passava por momentos difíceis, uma Ditadura Militar estava sendo instalada, o povo estava se conscientizando da situação, o clamor por uma divisão de renda melhor assustava os poderosos, lá fora, o comunismo avançava a passos largos, enfim, quem tinha, não queria dividir com ninguém, e, infelizmente, graças aos anos de chumbo, esta história continua a mesma.
Assim no Brasil, em Recreio(MG) não poderia ser diferente, lá, na ocasião, meado dos anos 60, o trabalhador, ou melhor, o ferroviário, seguro do seu valor, resolveu colocar no prédio da igreja católica, o símbolo maior da sua lida, ou seja, a cruz, foi, realmente, um fato inusitado.
A cruz foi feita com os trilhos da ferrovia no barracão que fica na parte baixa da cidade, depois de pronta, dezenas de homens, sob a batuta do maestro a levantaram e, em seguida, levaram-na até à igreja que se encontra na parte alta. Depois de encaixada na parede da frente, o Hino Nacional foi cantado, mostrando o lado civil do evento.
Mediante a este grande acontecimento, eu e o Antonio Armindo resolvemos homenagear aqueles homens e também os párocos que permitiram tal proeza, deste modo, fizemos, CRUZ DE FERRO.

GRAVAÇÃO DE 1999
VOZ E TECLADO, ANIBAL WERNECK DE FREITAS
anibalwerneck@gmail.com

sábado, 8 de janeiro de 2011

ERRATA




O documento de Registro
que está
no vídeo da música
VIA, VERITAS ET VITA,
está errado,
ele é de outra composição,
sendo assim,
o documento certo
é este à esquerda,
desculpe-me pela falha,
da próxima vez,
teremos mais cuidado.


Anibal.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

VERDE DA MATA



VERDE DA MATA (Anibal Werneck de Freitas) Verde da mata, / Mata do verde. / Por que não matas / Quem mata o verde? / Sou mais o Taleban, / Acredite, do Afeganistão. / Se comparado ao Império / Brasileiro da Corrupção. / Meu povo brasileiro: / Aqui matam o que defendes / Onde o índio rock virou / Com a morte de Chico Mendes. / Chico Mendes, minha razão!

Verde da Mata é uma música agressiva, concordo plenamente, mas o desmatamento desenfreado que vem ocorrendo no Brasil é, por demais, vergonhoso, e, ainda por cima, homens como Chico Mendes, que defendem o verde, são assassinados friamente, e a coisa fica por aí, o Governo parece que fica meio catatônico, deveria ser mais severo para com os que matam o verde, o desmatamento é um crime contra a Nação, contra o povo brasileiro, é isso aí.

VERDE DA MATA, Registro nº 62.906, fls. O58, livro nº 18,
na ESCOLA DE MÚSICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO,
em 20 de Novembro de 1990.
Voz e teclado, Anibal.
anibalwerneck@gmail.com

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

SERRA DAS VIRGENS



SERRA DAS VIRGENS (Anibal Werneck - Armindo Torres) É um sentimento que não tem, não tem mais fim. / Quando ele chega toma posse dentro em mim / E fica comigo, comigo. / Como um verdadeiro amigo. / Eu me deixo então me seduzir e me levar / Para um paraíso lindo divinal lugar / Na Serra das Virgens, das Virgens, / Vou em busca das origens. / Lá não há tristeza, lá não há a diferença. / Lá existe paz, muito amor e uma só crença, / Um culto à beleza e a busca dos estetas. / Todos afinados qual se fosse uma orquestra / Em busca daquilo que cá fora é muito raro, / Som inigualável do que sempre nos foi caro. / Essência total da verdadeira amizade, / Paz interior, ternura e tranqüilidade. / Oh! Quando passo nas montanhas / Cá dentro das entranhas / Brota algo muito puro, / Muito belo e sincero. / Eu me deixo então me seduzir e me levar / Para um paraíso lindo divinal lugar / Na Serra das Virgens, das Virgens, / Vou em busca das origens. / Vou em busca das origens. / Vou em busca das origens.

Com a chegada da variante asfaltada de Recreio até à Rio-Bahia, o encanto da Serra das Virgens foi anulado para a maioria. Hoje, poucos desfrutam deste paraíso, no meu tempo de menino, quando viajava de ônibus com meus pais para Leopoldina, a travessia da serra era uma verdadeira aventura, a estrada de chão, cheia de pedras e estreita, sacolejava o veículo de tal forma que assustava os passageiros até no ponto mais alto, daí pra frente, o medo era superado pela vista magnífica, descortinando uma beleza sem par das montanhas ao longe, formando uma cena cinematográfica, dava a impressão de que estávamos acima delas, ou melhor, das nuvens que as cobriam, sem exagero, isto era o que todo mundo sentia nas Serra das Virgens.


Fonte:
CD da fita K7 NÓS / TREM NOTURNO,
lançada pela Editora Radiante do Jornal de Recreio, em 1996.
Voz, violão e teclado, Anibal Werneck de Freitas.
anibalwerneck@gmail.com

ENTREVISTANDO MILTON NASCIMENTO